Prevenir quedas na pessoa idosa é estimular que a mesma permaneça vivendo com independência e autonomia por mais tempo e, desta forma, tenha melhor qualidade de vida.

Os acidentes por quedas podem provocar além das fraturas, consequências irreparáveis como a imobilidade. Afetam a qualidade de vida do idoso, provocam sentimentos como medo, fragilidade e falta de confiança (IAMSPE, 2014).

Escolher os sapatos para idosos é tarefa que deve ser levada a sério, assim como qualquer outra atividade que se relacione ao bem-estar das pessoas com mais de 60 anos (segundo o Estatuto do Idoso, essa é a idade para a pessoa ser considerada idosa).

SAPATOS PARA IDOSOS: COMO MINIMIZAR O RISCO DE QUEDA?

O calçado é a interface entre o corpo e a superfície de suporte e pode afetar potencialmente o equilíbrio, aumentando o risco de queda.

Estudos mostram que calçados inapropriados estão envolvidos em 45% dos casos de quedas em idosos, e o uso de chinelos aumenta exponencialmente esse risco.

Os efeitos do pós-queda como citado inicialmente podem ser ainda mais devastadores, chegando a causar distúrbios emocionais e depressão, pois alguns casos exigem que o idoso aumente sua dependência de outras pessoas.

Dor, mobilidade reduzida, deformidades nos dedos e joanete são algumas das outras consequências que o uso de sapatos inadequados para idosos podem causar.

Ainda que o idoso não apresente nenhum problema de mobilidade e tenha uma vida ativa, é fundamental priorizar o seu conforto com os sapatos adequados, para que continue realizando suas atividades rotineiras com confiança e não se machuque.

SAPATOS PARA IDOSOS E O PÉ DIABÉTICO

O pé diabético é uma complicação decorrente da diabetes e demanda atenção redobrada com a escolha dos sapatos adequados. A pessoa acometida pela Diabetes Mellitus (tipo DM1 ou DM2) corre o risco de sofrer de neuropatia diabética, uma condição que afeta as extremidades do corpo, como os pés.

Nesse caso ocorre uma diminuição da sensibilidade para dor e temperatura, que pode trazer graves consequências ,caso haja uma lesão, há risco de a pessoa com diabetes não perceber devido a falta de sensibilidade nas extremidades dos pés e essa ferida evoluir, infeccionar e até causar uma amputação.

Dois fatores de risco que agravam a condição da pessoa com diabetes são:
  1. Andar descalço: os dedos e o pé, de forma geral, ficam sem proteção contra arranhões, perfurações, quedas de itens e topadas;
  2. Sapatos inadequados: podem descompensar o peso do corpo em determinados pontos nos pés, causando úlceras por pressão; se tiverem bicos estreitos, podem apertar os dedos, causando calos e deformações nas unhas.
Como escolher o calçado adequado para o idoso

É essencial que o calçado escolhido seja confortável, fácil de usar e aceito esteticamente. Mas, as pesquisas indicam que para um calçado ser adequado do ponto de vista de manutenção do equilíbrio e controle postural das pessoas idosas, ele deve apresentar os seguintes requisitos:

Salto baixo e amplo
Altura do salto de até 2,5 cm e, de preferência, grosso. Salto alto afeta o equilíbrio estático e dinâmico, enquanto saltos estreitos estão relacionados com um maior número de fraturas em mulheres acima de 45 anos.

Altura adequada do colar
Calçados com colar alto melhoram o desempenho de mulheres idosas em teste de equilíbrio. O colar alto facilita o movimento da articulação do tornozelo.

Contraforte alto
Fornece maior estabilidade do calcâneo durante a marcha, evitando movimentos de pronação ou supinação excessivos, isto é, torção ou rotação dos pés.

Numeração certa
Os sapatos para idosos não podem ser menores e nem maiores do que a numeração certa, pois ambas situações irão prejudicar o equilíbrio e causar insegurança além de desconforto ao caminhar.

Solado antiderrapante
Costuma ser mais firme e evita que a pessoa idosa escorregue, situação que normalmente precede a queda.
Caso o idoso seja ativo, é natural que os sapatos que ele utiliza com mais frequência se desgastem mais rapidamente. Não é indicado que se insista em calçados deformados, pois, dentre os problemas decorrentes do uso intenso, os sapatos perderão sua capacidade antiderrapante e causarão desestabilidade aos pés, facilitando a queda do idoso.

O agravamento é ainda maior em situações de lesões em idosos com diabetes, cuja atenção à cicatrização e à evolução da ferida devem ser feitas por um especialista.

Devido a todas as consequências que o uso de calçados inadequados podem trazer, usar o bom senso e a prevenção como medidas para evitar seus agravantes será sempre a melhor alternativa!

REFERÊNCIAS
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